É incrível como a parte pedagógica (pra diferenciar da administrativa, que também é péssima, mas não será abordada neste post) da rede municipal de ensio de Belo Horizonte funciona. Quanto mais conheço, mais tenho certeza que todos esses números sobre a qualidade de ensino que passam na propaganda da televisão são forjados (ou talvez sejam reais, pois a prova que eles fazem está cada ano mais ridícula).
Onde já se viu uma aluna que não sabe escrever letras e números estar no oitavo ano (antiga sétima série) do ensino fundamental? Isso mesmo: oitavo ano (deve ter uns 13 anos de idade). Essa aluna que me refiro possui problemas de visão, e enxerga muito pouco. A prefeitura paga uma auxiliar para assistir aula ao seu lado, ler o que é passado no quadro, e ajudar com as tarefas. Na prática, não adianta nada. Você poderia pensar que ela deve saber, pelo menos, fazer contas de cabeça… não, nem isso ela é capaz (nem mesmo 2 + 3).
E no ano que vem, ela estará no nono ano, com certeza! Sabe por que? Porque ela é “aluna de inclusão” (é esse o termo utilizado). Traduzindo: os professores não podem reprová-la, porque ela é uma coitadinha.
O próximo passo seria você pensar que “a culpa é dos professores não sabem ensinar para alunos com necessidades especiais”. Esse é um pensamento ridículo, que certamente abordarei em outro post (minhas ideias não cabem na minha cabeça), mas para refutar esse argumento vou apresentar um exemplo que ocorreu nessa escola, e o exemplo se explicará por si só: uma professora, assustada ao perceber que a aluna não sabia sequer escrever letras e números, procurou a direção da escola para verificar o que poderia ser feito (atendimento especializado, atividades impressas com letras maiores, avaliações diferenciadas, etc.). Sabe qual a resposta que ela obteve? Que ela estava “ansiosa demais”, e que deveria ir mais devagar…
Trágico… e o pior é reconhecer que isso é o mais comum na rede pública de ensino: quem quer fazer a diferença é puxado pra baixo, desacelerado! Por que a direção faria isso? Porque quer evitar conflitos, problemas. Os números estão bons, as matrículas estão em alta, a evasão está baixa, logo as coisas estão boas…
E assim as escolas vão levando… eu ainda acho que a situação está se aproximando de um ponto tão trágico que, inevitavelmente, a sociedade perceberá a tragédia que está acontecendo em nossas escolas, e algo será feito. Só me resta rezar (e trabalhar) para que esse basta aconteça o mais rápido possível.